ITINERÁRIO

Adotei esse fogo que arde no núcleo do meu peito, enquanto, deitada no chão da sala, olhando pro teto e ouvindo a paz, esperava o amor arrombar a porta a qualquer momento. A única espera da minha vida: um alguém, um você, um amor, uma. Que surgisse assim, inesperadamente, na lista de improbabilidades, que com certeza me traria problemas - esses bons de resolver -. Um peso pra dormir no abraço, que me fizesse ficar imóvel, querendo o ponteiro do relógio como companhia e o Sol abaixo da linha do horizonte. Que me fizesse ficar de olhos abertos na escuridão, mesmo sem enxergar nada além daquele calor inquietante, que me obrigava a fazer planos e a amá-los, como uma lembrança fresca na memória. Desenhando na sua nuca todos esses planos e todas as rotas de fuga para que ninguém nos encontrasse. Meu dedo percorrendo da ponta do seu anelar - onde desenhava um laço -, subindo pelo ombro, descendo pela sua clavícula e circulando por todas as linhas da sua orelha - como se viajássemos por toda a América Latina - sem notar que já amanhecera e que eu havia encontrado em você um lugar para enfim repousar os olhos, mesmo que o Sol não queimasse mais que eu, mas que ele me permitisse ficar acordada para viver mais.