ETÉREO
A vida é tão orgânica e todo sentimento tão abstrato que, quando não consigo concretizá-lo em algo, tudo pesa. Então, mergulho. E se, por acaso, atinjo o fundo, danço com a morte. Tenho chão, mas o ar me falta. E me pergunto o que deve se desfazer primeiro: a matéria? a ideia? [...] Uma vida de perdas e quases me obriga a enxergar o que eu não queria - e não quero - ver, a me questionar e cobrar um sentido, algo tangível, onde eu possa eternizar tudo que passa. E não suportar a espera é o que me empurra para baixo. Mas prenderei meu fôlego por mais alguns instantes, dançarei sem perder o ritmo e, mesmo que com a cara, farei do chão concreto.